Desde …Baby One More Time, quando Britney surgiu no cenário pop vestida de colegial e causando controvérsia, ela tem sido assunto na mídia do mundo inteiro e gerado discussões em diferentes aspectos.
Em seus quase 12 anos de carreira, Spears nunca ligou para os comentários de seus “colegas de profissão”, apesar de alguns deles já terem feito declarações um tanto quanto maldosas — aliás, Britney é uma das poucas cantoras que se preocupa mais com sua vida e carreira do que em dar “pitaco” na trajetória alheia, e talvez seja por isso que muitas delas ficam irritadas.
O visitante João Nunes nos pediu para fazer um levantamento sobre os comentários mais maldosos/curiosos já feitos por artistas do mundo do entretenimento, e decidimos atender ao seu pedido neste artigo da coluna Polêmica.
Abaixo, em ordem cronológica, estão os principais comentários já feitos pelos “colegas” de Britney. Confira:
“Britney Spears se veste e dança como uma vadia no palco. Será que ela é vadia? Ela diz que é virgem! Ela está dizendo uma coisa e fazendo outra. Definitivamente não é o que eu vou fazer.”
Avril Lavigne — 2002
“Assim como Christina Aguilera, a imagem da Britney Spears mudou muito nos últimos anos e eu acho que ambas estão me copiando nesse sentido. Algumas pessoas têm sua própria identidade, outras não.”
Pink — 2002
“O VMA nem mostrou o meu beijo na TV. Eles cortaram para mostrar a reação do Justin — previsível e patético. Britney fez playback. Essas pessoas não são artistas, são apenas performers — falsas e superficiais, como o evento inteiro.”
Christina Aguilera — 2003
“Britney Spears não é legal! Ela é um robô pop mecânico, OK? Basicamente ela é um fantoche. Embora Britney não seja tão ruim quanto Christina quando o assunto é mostrar a pele… Christina mostra muito mais! As duas parecem estar competindo entre si… Isso não me ofende. É apenas trágico. É muito triste. Não queira ter que vender ‘sexo’ apenas para fazer com que as pessoas te escutem!”
Amy Lee — 2003
“Acho que se Britney se sente confortável com o que faz, tudo bem, é o que você deve fazer. Mas, com certeza, não acredito que tirar a roupa ou sair toda noite para badalar e ficar bêbada seja um sinal de maturidade. Eu não gostaria de olhar para o meu passado e dizer ‘Oh, aquilo foi tão embaraçoso’.”
Hilary Duff — 2005
“Vocês viram os filhos da Britney? Oh meu Deus, eles são os erros mais adoráveis que já vi. Eles são tão fofinhos, tão lindos quanto a vagina raspada da qual eles saíram.”
Sarah Silverman — 2007
“Eu honestamente acho estúpido o que Britney e Lindsay Lohan estão passando. É muito fácil ficar longe dessas situações. É preciso ser esperto sobre as suas decisões.”
Vanessa Hudgens — 2007
“Eu não quero diminuir a Britney, mas eu nunca iria a um show em que a pessoa finge cantar. Quando você cresce escutando Janis Joplin, você não vai querer ver alguém fazendo playback. Juro por Deus, eu defendi Britney Spears desde o início. Meu propósito era: ‘Parem de me comparar com ela, porque nós somos animais diferentes’”
Pink — 2009
“Nós pelo menos comparecemos ao VMA! Que se f*da! Como eles vão dar um prêmio a Britney Spears se ela nem tem tempo para vir receber?! Tenha dó.”
Gabe Saporta (Cobra Starship) — 2009
“Em 10 anos, Britney Spears… Britney, quem?”
Ke$ha — 2010
“Mal posso esperar para que a carreira da Britney acabe de vez e ela possa me servir café na 7-Eleven. Ela é uma white trash!”
Joan Rivers — 2010
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Going, going, GONE! Pigeon shuns chance of great escape after being scooped up by hungry pelican in London park
By DAILY MAIL REPORTER
Last updated at 1:50 PM on 14th October 2010
Last updated at 1:50 PM on 14th October 2010
When a pigeon was gobbled up by a greedy pelican, it looked like instant game over for the little bird.
But when the predator unexpectedly opened up his huge beak again, the pigeon was given a chance to save himself and fly away.
Confusingly, however, the dopey bird instead chose to simply sit in the beak taking in the view - and missed his only opportunity to escape.
Not surprisingly, he was eaten up.

Sitting pretty - but not for long: The pigeon misses his chance to escape from the pelican's beak
Photographer Paul Mansfield, 44, captured the remarkable scene while on a day trip to London with his family.
The pigeon had been pecking at crumbs in St James' Park, Westminster, when he was targeted by the pelican.
Mr Mansfield said: 'I noticed a small crowd gathered at the side of a lake that was 'oohing' and 'arghing'.
'On closer inspection I could see what all the fuss was about.
'On the grassy bank a pelican had managed to gobble up a pigeon.'


Going... The pigeon, which had been eating crumbs at St James' Park in London, is trapped, and with the crowd willing it to escape, the bird disappears from view
Mr Mansfield, from Brighton, East Sussex, added: 'The crowd was willing it to escape, with shouts of "Come on, you can do it!".'
'During one such moment the pigeon stood inside the peak, head peering out, with its body silhouetted on the pelican's pouch.
'There was another big gulp and you could see the pigeon slide further down the pouch.
'Then another and it was gone. There were gasps of disbelief from many in the crowd.'
Unbelievably the same pelican then gulped another bird nearby and the whole process started again.
Mr Mansfield said: 'I had seen enough and headed for more pleasant vistas along the South Bank.'

Gone! The outline of the pigeon can be seen in the pelican's neck as it is swallowed whole
Read more: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1320429/Pelican-swallows-pigeon-London-park.html#ixzz12QHbKrfN
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010
comprei a edicao de novembro da vanity fair, com a marilyn na capa... "marilyn's secret diaries"
vai ser minha leitura antes de dormir.............. depois conto alguma coisa. a capa esta BELA!
vai ser minha leitura antes de dormir.............. depois conto alguma coisa. a capa esta BELA!
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
Catastrophe but Kimba survives spin cycle

Kimba - the kitten that went through almost a full cycle in a washing machine, with owner Margaret Rogers. Picture: ANNIKA ENDER
THE last thing Lindsay Rogers expected when he opened his front-loader washing machine was the mournful “meow” of his bedraggled and seriously dizzy four-month-old kitten, Kimba.
Mr Rogers, of Manly Vale, was loading the washing machine when Kimba decided to sneak inside and snuggle into the dirty clothes while his back was turned, but the machine’s door was open.
Suspecting nothing, Mr Rogers turned around, closed the door, started the machine and walked away.
“I put the clothes in, put the powder and the fabric softener in, put it on a cold wash - which was very lucky - and put it on for a 30-minute cycle,” he said.
“When I opened the door, it just went ‘meow’ and stuck its head out.
“I couldn’t believe it - the spin cycle at the end goes really fast and I couldn’t believe it survived.”
While most people he has told the story to have had a bit of a laugh, Mr Rogers said Kimba was seriously unwell with very sore eyes from the soap and he wasn’t sure how she would fare.
He rushed the little persian kitten to Allambie Vet, whose staff immediately put her on an intravenous drip.
Head nurse Natalie Macdonald said without intervention Kimba would have certainly died.
“She was very flat and wet, very recumbent and lying on her side and not very responsive,” Ms Macdonald said.
“The first thing they did was get some vitals, place her on an IV (intravenous therapy) and administer fluids.
“She was suffering from shock and hypothermia and they put her on a heat mat and dried her until her body temperature slowly returned to normal.”
Amazingly, after just a couple of hours, Kimba was stable and “purring like a little motor”, according to Mr Rogers.
How many lives has Kimba got left? What do you reckon? Comment below.
But the vet had serious concerns for her eyes, which were inflamed and ulcerated from the soap, and eye ointments, anti-inflammatories and antibiotics were introduced immediately.
Two weeks later Kimba was back to normal, with no long-term problems.
When Kimba’s other owner, Margaret Rogers, returned from overseas she said she was in “shock-horror” when she heard what had happened.
“I couldn’t believe what I was being told, but she is fine and is certainly a lucky little cat,” she said.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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sexta-feira, 16 de abril de 2010
Merchan Music
Nova moda entre os artistas é fazer propaganda em clipes e letras de música - e receber cachê de grandes empresas.
por Marcella Chartie

“Imagina nóis de Audi, ou de Citroen/Indo aqui, indo ali/Só pam, de vai e vem.” Quando os Racionais MCs cantaram isso, não estavam fazendo merchan- só declarando seu amor sincero a certas marcas. Mas agora a prática se transformou em negócio: artistas pop estão recebendo para citar marcas em suas músicas e clipes. E já existe até uma agência de publicidade, a Kluger, que é especializada nisso e trabalhou com vários artistas (veja alguns exemplos nesta página). “É fundamental ser discreto. A integridade artística é mais importante do que o marketing”, acredita o dono da empresa, Adam Kluger. Será?
LADY GAGA
MÚSICA: Bad Romance
PATROCÍNIO: HP, Nemiroff, Heartbeats, Parrot, Nintendo, Carrera, Burberry, Alexander McQueen
TRECHO: Os produtos aparecem em várias partes do videoclipe. Até as roupas vestidas pela cantora são merchandising.
MARIAH CAREY
MÚSICA: Shake it Off
PATROCÍNIO: Louis Vuitton (bolsas)
TRECHO: Depois de uma briga com o namorado, ela canta: “Arrumei minhas coisas na Louis Vuitton”.
BRITNEY SPEARS
MÚSICA: Womanizer
PATROCÍNIO: Nokia
TRECHO: O celular Xpress Music aparece duas vezes durante o clipe (27s e 1min30).
P.DIDDY
MÚSICA: Can’t Nobody Hold me Down
PATROCÍNIO: Mercedes-Benz
TRECHO “Tenho uma (Mercedes) Benz que ainda nem dirigi.”
KANYE WEST
MÚSICA: Good Life
PATROCÍNIO: American Express
TRECHO: “Quando pegar meu cartão, vou voltar para Las Vegas.” Nessa parte, mostra um AmEx no clipe.
BLACK EYED PEAS
MÚSICA: My Humps
PATROCÍNIO: Várias grifes de roupa
TRECHO: “Eles me compram tudo isso / Dolce & Gabbana, Fendi & NaDonna (D.Karan)”
PUSSYCAT DOLLS
MÚSICAS: Baby Love, Stick wit’ You e Rio
PATROCÍNIO: Samsung, Nokia e Unilever
TRECHO: Mostra os produtos em clipes (e gravou uma música patrocinada pelo sabonete Caress).
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terça-feira, 16 de março de 2010
Sociólogo defende fim da propriedade dos animais
Militante pelos direitos dos animais chegou a ser preso nos anos 80
por Guilherme Rosa
Os direitos dos animais estão sendo cada vez mais discutidos, e seus militantes defendem os mais diversos pontos de vista. O sociólogo Roger Yates é um defensor dos animais desde os anos 70 e recentemente se juntou ao Abolicionismo, uma das vertentes mais radicais do movimento. Eles defendem o fim de toda propriedade humana sobre os animais e o pacifismo como forma de luta. Ele explicou suas idéias numa entrevista à Galileu:
Você é um sociólogo. Como a sociologia pode nos ajudar a entender a questão dos animais?
A sociologia nos ajuda a entender como tratamos os animais porque ela olha a sociedade e pensa suas atitudes. Ela olha o modo como as pessoas se adaptam às regras e valores, o modo como somos levados a olhar de modo diferente os humanos e não-humanos. Nós ensinamos nossas crianças que é certo usar os animais, mas sem causar sofrimento desnecessário. A sociologia nos ajuda a entender o especismo: porque pensamos que somos mais importantes, porque valorizamos as vidas de formas diferentes.
A sociologia nos ajuda a entender como tratamos os animais porque ela olha a sociedade e pensa suas atitudes. Ela olha o modo como as pessoas se adaptam às regras e valores, o modo como somos levados a olhar de modo diferente os humanos e não-humanos. Nós ensinamos nossas crianças que é certo usar os animais, mas sem causar sofrimento desnecessário. A sociologia nos ajuda a entender o especismo: porque pensamos que somos mais importantes, porque valorizamos as vidas de formas diferentes.
>> Veja fotos de animais dentro do útero
Então a gente não é mais importante que os animais?
Precisamos ver o quanto racionalizamos nossa importância. Os não-humanos querem viver o tanto quanto a gente, é um mal matar um animal e há um senso de igualdade quando comparamos nossas vidas. Somos treinados socialmente a resistir a essa ideia e achá-la tola e sentimental.
A resposta então é o Abolicionismo?
O Abolicionismo está deslanchando, se tornando um movimento substancial nos EUA e na Europa. É uma idéia nova, que existe há uns cinco anos. È diferente dos movimentos dos anos 70, 80 e 90; uma versão radical dos movimentos pelo bem-estar animal e pela libertação dos animais. Por exemplo, defendemos o veganismo, não o vegetarianismo. É um movimento que foi inspirado pelas idéias de Gary Francione.
Então a gente não é mais importante que os animais?
Precisamos ver o quanto racionalizamos nossa importância. Os não-humanos querem viver o tanto quanto a gente, é um mal matar um animal e há um senso de igualdade quando comparamos nossas vidas. Somos treinados socialmente a resistir a essa ideia e achá-la tola e sentimental.
A resposta então é o Abolicionismo?
O Abolicionismo está deslanchando, se tornando um movimento substancial nos EUA e na Europa. É uma idéia nova, que existe há uns cinco anos. È diferente dos movimentos dos anos 70, 80 e 90; uma versão radical dos movimentos pelo bem-estar animal e pela libertação dos animais. Por exemplo, defendemos o veganismo, não o vegetarianismo. É um movimento que foi inspirado pelas idéias de Gary Francione.
Quais deveriam ser os direitos dos animais?
Falamos simplesmente de um direito: o direito a não ser uma propriedade. Podemos destrinchá-lo em outros: o direito à integridade, a não sofrer, a ser deixado sozinho sem a interferência humana. Moralmente, devemos lembrar que não podemos ser seus donos. Quando vemos uma árvore, tendemos a pensar que ela é nossa. Isso vem da teologia, porque pensamos que o mundo é nosso, foi dado pra gente por Deus. O que penso é que existem outros seres que têm tanto direito à Terra quanto a gente.
Você disse que é vegan. Porque não um vegetariano?
Nós vemos muito criticamente o consumo de derivados de leite. Há tanto sofrimento numa fazendo de gado leiteiro quanto numa de gado para corte. Um vegetariano que come muitos laticínios esta causando mais mal do que alguém que come carne, mas poucos derivados de leite. Acho que isso tem muito a ver com pressão social e amigos. Se você se apresenta como vegetariano, não parece tanto um louco do que quando você é um vegan.
O que você pensa sobre os animais domésticos?
O problema com esses animais é que nós os geramos e selecionamos sua raça. Alguns animais de pedigree não podem fazer sexo, seus olhos caem, têm problemas horríveis de esqueleto por causa de seu formato. Nossa técnica de cruzamento de cães tem causado muitos problemas para eles: cachorros muito pequenos, muito grandes, cachorros que têm problemas de pele. Se você olhar para os animais de pedigree, verá uma situação de pesadelo.
E temos o direito de ser donos desses animais? Acho que não. Muita gente pensa que nossa relação com os animais é simbiótica e que não há problema, mas a instituição de possuir um animal já é problemática. Eu sei que é uma das questões mais complicadas dos direitos dos animais, porque é um tanto radical. Eu não quero banir nada, quero uma mudança de consciência. É um tanto utópico, os direitos animais são baseados numa mudança cultural.
Devemos fazer o que então? Abandonar nossos cães e gatos?
É obvio que devemos cuidar dos que já existem, mas não deveríamos produzir mais. Você pode dizer que é uma questão de oferta e demanda. Quando a demanda diminuir, a oferta vai diminuir também. Porque a criação de animais virou um negócio, existem muitos criadores por aí.
Mas hoje em dia os cachorros só sobrevivem em convivência com humanos.
É por isso que eles deveriam diminuir aos poucos. É claro que alguns animais até podem existir livremente sem nossa interferência, mas esse não é o caso de Poodles e Chihuahas. Temos que pensar nesse problema que criamos, e o primeiro passo é mostrar para as pessoas que é um problema.
Qual seria a relação perfeita entre homem e animais?
Precisamos entender que temos responsabilidades com eles, e, obviamente, eles não têm responsabilidades conosco. Devemos respeitá-los como possuidores de direitos. No momento estamos fundando essa nova relação entre humanos e animais, somos pioneiros. Muitas pessoas se frustram com a demora das mudanças sócias. Eu, como sociólogo, entendo que a mudança é geracional. As pessoas têm que estar acostumadas às novas ideias antes de aceita-las. Meu trabalho é fazer essa fundação, para que os que vierem depois de mim façam seu trabalho.
Porque você foi preso nos anos 80?
Eu era assessor de imprensa da Animal Liberation Front, que se envolveu em uma situação ilegal [parte do grupo passou a sabotar lojas que negociavam peles de animais]. Eu não estava envolvido, mas houve um movimento das autoridades de atacar o pessoal da imprensa. Foi uma daquelas situações esquisitas onde aqueles que escreveram sobre situações ilegais pegaram mais tempo de cadeia do que aqueles que as praticaram. É o modo de os agentes lidarem com movimentos mais radicais, tentam silenciá-los. Foi um dos primeiros julgamentos sobre os direitos dos animais.
Você só luta pelos direitos dos animais?
Eu estive envolvido em movimentos tanto pelos direitos dos animais quanto pelos humanos. Sempre me envolvi em movimentos contra o tráfico de humanos e a escravidão moderna, isso é que mais me incomoda. Se as pessoas ainda desrespeitam os direitos dos outros homens, isso explica nossa incapacidade de respeitar os animais.
Falamos simplesmente de um direito: o direito a não ser uma propriedade. Podemos destrinchá-lo em outros: o direito à integridade, a não sofrer, a ser deixado sozinho sem a interferência humana. Moralmente, devemos lembrar que não podemos ser seus donos. Quando vemos uma árvore, tendemos a pensar que ela é nossa. Isso vem da teologia, porque pensamos que o mundo é nosso, foi dado pra gente por Deus. O que penso é que existem outros seres que têm tanto direito à Terra quanto a gente.
Você disse que é vegan. Porque não um vegetariano?
Nós vemos muito criticamente o consumo de derivados de leite. Há tanto sofrimento numa fazendo de gado leiteiro quanto numa de gado para corte. Um vegetariano que come muitos laticínios esta causando mais mal do que alguém que come carne, mas poucos derivados de leite. Acho que isso tem muito a ver com pressão social e amigos. Se você se apresenta como vegetariano, não parece tanto um louco do que quando você é um vegan.
O que você pensa sobre os animais domésticos?
O problema com esses animais é que nós os geramos e selecionamos sua raça. Alguns animais de pedigree não podem fazer sexo, seus olhos caem, têm problemas horríveis de esqueleto por causa de seu formato. Nossa técnica de cruzamento de cães tem causado muitos problemas para eles: cachorros muito pequenos, muito grandes, cachorros que têm problemas de pele. Se você olhar para os animais de pedigree, verá uma situação de pesadelo.
E temos o direito de ser donos desses animais? Acho que não. Muita gente pensa que nossa relação com os animais é simbiótica e que não há problema, mas a instituição de possuir um animal já é problemática. Eu sei que é uma das questões mais complicadas dos direitos dos animais, porque é um tanto radical. Eu não quero banir nada, quero uma mudança de consciência. É um tanto utópico, os direitos animais são baseados numa mudança cultural.
Devemos fazer o que então? Abandonar nossos cães e gatos?
É obvio que devemos cuidar dos que já existem, mas não deveríamos produzir mais. Você pode dizer que é uma questão de oferta e demanda. Quando a demanda diminuir, a oferta vai diminuir também. Porque a criação de animais virou um negócio, existem muitos criadores por aí.
Mas hoje em dia os cachorros só sobrevivem em convivência com humanos.
É por isso que eles deveriam diminuir aos poucos. É claro que alguns animais até podem existir livremente sem nossa interferência, mas esse não é o caso de Poodles e Chihuahas. Temos que pensar nesse problema que criamos, e o primeiro passo é mostrar para as pessoas que é um problema.
Qual seria a relação perfeita entre homem e animais?
Precisamos entender que temos responsabilidades com eles, e, obviamente, eles não têm responsabilidades conosco. Devemos respeitá-los como possuidores de direitos. No momento estamos fundando essa nova relação entre humanos e animais, somos pioneiros. Muitas pessoas se frustram com a demora das mudanças sócias. Eu, como sociólogo, entendo que a mudança é geracional. As pessoas têm que estar acostumadas às novas ideias antes de aceita-las. Meu trabalho é fazer essa fundação, para que os que vierem depois de mim façam seu trabalho.
Porque você foi preso nos anos 80?
Eu era assessor de imprensa da Animal Liberation Front, que se envolveu em uma situação ilegal [parte do grupo passou a sabotar lojas que negociavam peles de animais]. Eu não estava envolvido, mas houve um movimento das autoridades de atacar o pessoal da imprensa. Foi uma daquelas situações esquisitas onde aqueles que escreveram sobre situações ilegais pegaram mais tempo de cadeia do que aqueles que as praticaram. É o modo de os agentes lidarem com movimentos mais radicais, tentam silenciá-los. Foi um dos primeiros julgamentos sobre os direitos dos animais.
Você só luta pelos direitos dos animais?
Eu estive envolvido em movimentos tanto pelos direitos dos animais quanto pelos humanos. Sempre me envolvi em movimentos contra o tráfico de humanos e a escravidão moderna, isso é que mais me incomoda. Se as pessoas ainda desrespeitam os direitos dos outros homens, isso explica nossa incapacidade de respeitar os animais.
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domingo, 18 de outubro de 2009
Os limites da beleza
Divulgação![]() |
| Um olhar realista Monsieur Clarins: "Faltam-nos muitas respostas" |
São raríssimos os executivos que, como o francês Christian Courtin-Clarins, 58 anos, falam abertamente sobre as limitações da indústria da beleza – um tabu no ramo em que atua há mais de trinta anos. "Não há milagres nesse negócio", resume ele, que há uma década está no comando da Clarins, uma das líderes mundiais em cosméticos e perfumes e a número 1 na venda de cremes na Europa. Ele sucedeu no posto ao pai, o médico Jacques Courtin (1921-2007), que fundou a empresa há 55 anos. Christian se faz tratar pormonsieur Clarins, incorporando ao sobrenome a marca de seus cremes. "Isso ajuda nos negócios", diz ele, que vive em Paris com a mulher e as três filhas. Em passagem pelo Brasil, mercado que define como prioritário, ele falou à repórter Renata Betti.
NEM TUDO É VERDADE
A indústria de cosméticos viveu até quinze anos atrás à base de promessas que não se ancoravam em provas científicas. Tudo o que eu e meus concorrentes sabíamos sobre os cremes vinha, basicamente, da observação de seus efeitos – uma avaliação na qual cabia boa dose de subjetividade. De lá para cá, a tecnologia foi, afinal, tornando possível medir, com altíssima precisão, o impacto das substâncias sobre rugas e outras imperfeições. Todo cosmético, antes de ser comercializado, precisa agora ser submetido a uma série de testes em que sua eficácia é objetivamente aferida. Um avanço inquestionável. Isso não significa, no entanto, que 100% das promessas de um creme se concretizarão. Porque, ainda que a inspeção seja mais rigorosa, é notório no mercado que nem todos esses testes obedecem ao mesmo padrão, algo bastante difícil de controlar. Os testes fajutos servem para dar respaldo às falsas promessas de certos fabricantes.
A indústria de cosméticos viveu até quinze anos atrás à base de promessas que não se ancoravam em provas científicas. Tudo o que eu e meus concorrentes sabíamos sobre os cremes vinha, basicamente, da observação de seus efeitos – uma avaliação na qual cabia boa dose de subjetividade. De lá para cá, a tecnologia foi, afinal, tornando possível medir, com altíssima precisão, o impacto das substâncias sobre rugas e outras imperfeições. Todo cosmético, antes de ser comercializado, precisa agora ser submetido a uma série de testes em que sua eficácia é objetivamente aferida. Um avanço inquestionável. Isso não significa, no entanto, que 100% das promessas de um creme se concretizarão. Porque, ainda que a inspeção seja mais rigorosa, é notório no mercado que nem todos esses testes obedecem ao mesmo padrão, algo bastante difícil de controlar. Os testes fajutos servem para dar respaldo às falsas promessas de certos fabricantes.
NÃO HÁ MILAGRES
É ilusão acreditar que alguém vá perder 3 centímetros de cintura em um mês apenas aplicando um creme no corpo, coisa que alguns prometem. Eles omitem que os efeitos só serão visíveis se o uso de tal produto vier aliado à boa alimentação e à ginástica, muita ginástica. Nos últimos tempos, hou-ve avanços consideráveis na indústria da beleza, mas ela ainda sabe infinitamente mais sobre a prevenção de problemas estéticos do que sobre a correção deles. Os cremes podem ajudar a retardar a chegada dos sinais de envelhecimento, mas pouco podem fazer para reverter os estragos já deixados pelo tempo.
É ilusão acreditar que alguém vá perder 3 centímetros de cintura em um mês apenas aplicando um creme no corpo, coisa que alguns prometem. Eles omitem que os efeitos só serão visíveis se o uso de tal produto vier aliado à boa alimentação e à ginástica, muita ginástica. Nos últimos tempos, hou-ve avanços consideráveis na indústria da beleza, mas ela ainda sabe infinitamente mais sobre a prevenção de problemas estéticos do que sobre a correção deles. Os cremes podem ajudar a retardar a chegada dos sinais de envelhecimento, mas pouco podem fazer para reverter os estragos já deixados pelo tempo.
Rick Wilking/Reuters![]() |
| Quanto custa um batom? Cenário pós-crise nos Estados Unidos: o preço passou a ser um fator decisivo |
O IMPASSE DA INDÚSTRIA
Os grandes fabricantes de cosméticos vivem hoje um impasse. O domínio das técnicas da nanotecnologia tornou possível levar o princípio ativo dos cremes até as camadas mais profundas da pele. Essa fronteira nunca tinha sido ultrapassada antes pelos laboratórios cosméticos. Isso é formidável, mas traz um problema novo que ainda não tem solução. Ao atingirem as camadas profundas, as substâncias ativas entram na corrente sanguínea. Até que aprendamos a controlar o processo de limitar as quantidades que caem na corrente sanguínea, o uso da nanotecnologia nos cosméticos continuará inviável. Essa é uma limitação fundamental para aumentar a eficácia dos tratamentos estéticos sem pôr em risco a saúde das pessoas.
MULHER ESQUELÉTICA, NEM PENSAR
Não contrataria a Kate Moss nem qualquer outra modelo do grupo das esquálidas para ser o rosto da minha marca. Elas parecem doentes, quando o que procuro é justamente associar meus produtos à ideia de saúde. Ainda que essas moças estejam à beira da perfeição estética, elas submetem-se a constantes intervenções que, quase sempre, fazem delas meras caricaturas de si mesmas. Para mim, isso funciona como antipropaganda da indústria da beleza.
Não contrataria a Kate Moss nem qualquer outra modelo do grupo das esquálidas para ser o rosto da minha marca. Elas parecem doentes, quando o que procuro é justamente associar meus produtos à ideia de saúde. Ainda que essas moças estejam à beira da perfeição estética, elas submetem-se a constantes intervenções que, quase sempre, fazem delas meras caricaturas de si mesmas. Para mim, isso funciona como antipropaganda da indústria da beleza.
OS HOMENS VÃO ÀS COMPRAS
Só recentemente eles começaram a ter algum peso em nosso faturamento. As vendas de cremes para homens já representam 7% do total – número que triplicou na última década e não para de crescer. É curioso que, embora já usem cosméticos de todo tipo, os homens ainda tenham vergonha de assumir isso com naturalidade, o que fica claro nas pesquisas. Demora um pouco até eles aceitarem falar sobre suas rotinas estéticas e, mesmo assim, é preciso garantir-lhes absoluta confidencialidade e anonimato. Lentamente, essa situação tende a mudar. Em Paris, muitos executivos usam base sob os olhos para esconder as olheiras, e alguns falam abertamente sobre isso.
Só recentemente eles começaram a ter algum peso em nosso faturamento. As vendas de cremes para homens já representam 7% do total – número que triplicou na última década e não para de crescer. É curioso que, embora já usem cosméticos de todo tipo, os homens ainda tenham vergonha de assumir isso com naturalidade, o que fica claro nas pesquisas. Demora um pouco até eles aceitarem falar sobre suas rotinas estéticas e, mesmo assim, é preciso garantir-lhes absoluta confidencialidade e anonimato. Lentamente, essa situação tende a mudar. Em Paris, muitos executivos usam base sob os olhos para esconder as olheiras, e alguns falam abertamente sobre isso.
PERFUME ENJOATIVO VENDE BEM
Não é fácil tornar-se um nome de peso no mercado de perfumes. Entre todos os consumidores, o universo da beleza tem os clientes mais infiéis. No mundo inteiro é a mesma coisa. Quando surge uma fragrância nova, 70% das pessoas decidem abandonar sua marca tradicional e experimentar a novidade. Depois de inúmeros erros e tropeços, compreen-di que o melhor caminho para a fidelização dos clientes não é criar uma essência que a maioria considere boa ou agradável. É verdade que esses são os perfumes que vendem muito bem de saída, mas figuram também entre os que são mais rapidamente preteridos. Das dezenas de fragrâncias que produzimos, as que realmente dão bom retorno financeiro são aquelas de essência marcante, doce, enjoativa mesmo. Elas são odiadas por muita gente, mas as pessoas que se sentem atraídas jamais trocarão de perfume. Só isso justifica o investimento. As margens de lucro são altíssimas. Com apenas 5% de participação nesse mercado, nosso faturamento anual com perfumes chega a 1,7 bilhão de dólares.
Não é fácil tornar-se um nome de peso no mercado de perfumes. Entre todos os consumidores, o universo da beleza tem os clientes mais infiéis. No mundo inteiro é a mesma coisa. Quando surge uma fragrância nova, 70% das pessoas decidem abandonar sua marca tradicional e experimentar a novidade. Depois de inúmeros erros e tropeços, compreen-di que o melhor caminho para a fidelização dos clientes não é criar uma essência que a maioria considere boa ou agradável. É verdade que esses são os perfumes que vendem muito bem de saída, mas figuram também entre os que são mais rapidamente preteridos. Das dezenas de fragrâncias que produzimos, as que realmente dão bom retorno financeiro são aquelas de essência marcante, doce, enjoativa mesmo. Elas são odiadas por muita gente, mas as pessoas que se sentem atraídas jamais trocarão de perfume. Só isso justifica o investimento. As margens de lucro são altíssimas. Com apenas 5% de participação nesse mercado, nosso faturamento anual com perfumes chega a 1,7 bilhão de dólares.
NA MIRA, OS EMERGENTES
Em nenhum outro canto do mundo a indústria da beleza cresce tanto quanto nos países emergentes, fenômeno que acompanha o crescimento da própria classe média de tais lugares. Só na China, o faturamento da Clarins dobrou no ano passado, ao passo que na Europa ele ficou estagnado. Ávidas por cremes e cosméticos, as chinesas dizem, em pesquisas, que estão dispostas a pagar "qualquer coisa" por um produto que torne sua pele mais alva –um sinal de status entre elas, que associam o bronzeado ao trabalho no campo. Curiosamente, um tom mais escuro é tolerado, e até desejável, mas apenas em uma das mãos. Sugere que aquela pessoa joga golfe, o esporte dos mais ricos. Investimos pesadamente para nos adaptar a essas e outras particularidades na China, do mesmo modo que na Índia ou no Brasil. Os brasileiros formam o terceiro maior mercado de cosméticos do planeta. Só nas classes A e B, são 20 milhões de pessoas – quase toda a população da Austrália. Por isso o Brasil é um mercado prioritário.
Em nenhum outro canto do mundo a indústria da beleza cresce tanto quanto nos países emergentes, fenômeno que acompanha o crescimento da própria classe média de tais lugares. Só na China, o faturamento da Clarins dobrou no ano passado, ao passo que na Europa ele ficou estagnado. Ávidas por cremes e cosméticos, as chinesas dizem, em pesquisas, que estão dispostas a pagar "qualquer coisa" por um produto que torne sua pele mais alva –um sinal de status entre elas, que associam o bronzeado ao trabalho no campo. Curiosamente, um tom mais escuro é tolerado, e até desejável, mas apenas em uma das mãos. Sugere que aquela pessoa joga golfe, o esporte dos mais ricos. Investimos pesadamente para nos adaptar a essas e outras particularidades na China, do mesmo modo que na Índia ou no Brasil. Os brasileiros formam o terceiro maior mercado de cosméticos do planeta. Só nas classes A e B, são 20 milhões de pessoas – quase toda a população da Austrália. Por isso o Brasil é um mercado prioritário.
RESCALDO DA CRISE
A crise encolheu o mercado de beleza em 10%. Nos Estados Unidos, o baque foi ainda maior. Até meados de 2008, o mercado americano representava 15% dos nossos negócios. Ele responde hoje por apenas 10%. Lá, fomos prejudicados em duas frentes. Primeiro, as grandes lojas de departamentos cortaram algo como um terço de seus funcionários e, com isso, reduziram drasticamente o número de atendentes de plantão, que são fundamentais para vender esse tipo de produto. Foi fatal para nós. De outro lado, os americanos se tornaram mais seletivos e racionais ao comprar. Até na hora de escolherem um batom, o preço passou a ser um fator decisivo. Para sobreviver nesse novo cenário, será preciso inovar ainda mais na busca de soluções para os problemas de beleza que tanto angustiam as pessoas no mundo moderno.
A crise encolheu o mercado de beleza em 10%. Nos Estados Unidos, o baque foi ainda maior. Até meados de 2008, o mercado americano representava 15% dos nossos negócios. Ele responde hoje por apenas 10%. Lá, fomos prejudicados em duas frentes. Primeiro, as grandes lojas de departamentos cortaram algo como um terço de seus funcionários e, com isso, reduziram drasticamente o número de atendentes de plantão, que são fundamentais para vender esse tipo de produto. Foi fatal para nós. De outro lado, os americanos se tornaram mais seletivos e racionais ao comprar. Até na hora de escolherem um batom, o preço passou a ser um fator decisivo. Para sobreviver nesse novo cenário, será preciso inovar ainda mais na busca de soluções para os problemas de beleza que tanto angustiam as pessoas no mundo moderno.
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Os bons amigos do batom
Maquiadores das estrelas chegam a ganhar R$ 20 mil mensais, conhecem segredos de rostos famosos e alguns viram confidentes das celebridades
Chantal Brissac
Dos 13 aos 18 anos, o paulistano Marco de Barros morou no Pará, onde trabalhava como garimpeiro. Em Serra Pelada, entre um trabalho de escavação e outro, ele ficava de olho na televisão dos bares da cidade, sonhando um dia “olhar aquela mulherada bonita de perto”. Não podia prever, na época, que ia chegar bem mais próximo do que isso: alguns anos depois, Marco pintava as faces, os olhos e os lábios de suas adoradas musas. Ele faz parte de um time seleto de maquiadores de celebridades, que na média ganham de R$ 5 mil a R$ 8 mil mensais, mas que em situações especiais podem faturar até R$ 20 mil.
Marco já maquiou as top models Claudia Schiffer e Valeria Mazza, além das principais atrizes do País. Depois que saiu do garimpo e chegou a São Paulo para tentar mudar de vida, Marco quis ser cabeleireiro. Fez um curso-relâmpago de dois dias e se apresentou num salão famoso, dizendo-se experiente com as tesouras. “Menti porque sabia que podia segurar a onda. No começo, ficava só olhando os outros, e de tanto copiar, comecei a fazer o meu estilo”, conta. Requisitado pelas clientes, Marco começou a pentear Claudia Raia. O passo para a carreira de maquiador veio a seguir. Um dia, substituiu um colega que iria maquiar a atriz Débora Duarte. “Foi meu primeiro rosto”, lembra ele. “Eu só tinha uma sombrinha rosa e me virei com isso. A Débora nem imagina que eu estreei com ela.”
Aos 32 anos, ganhando entre R$ 15 mil e R$ 20 mil mensais, Marco considera a discrição a qualidade fundamental para a sua profissão. “O que é do camarim, é só do camarim”, costuma dizer. De Claudia Schiffer, conta apenas que é a pessoa mais profissional com quem trabalhou. “Enquanto eu maquio, ela não se mexe nem dá palpite. Depois que termino, só elogia”, diz Marco.
Palpiteiras
Clientes como a modelo alemã, segundo o maquiador Aloysio Ferraz, 37 anos, o Lili, são raríssimas: “A mulherada gosta mesmo é de dar palpites”. Lili, como muitos de seus colegas, também teve alguém famoso que alavancou sua carreira. Sua madrinha é a atriz Matilde Mastrangi. Aos 17 anos, ele foi um dia ao SBT e se ofereceu para maquiar a atriz, que estava lá. “Ela gostou tanto, que começou a gritar: ‘Gente, tem que contratar esse menino, pelo amor de Deus’”, conta Lili. A partir daí, ele começou a trabalhar no meio publicitário.
Lili substituiu uma vez uma modelo numa campanha publicitária para um bronzeador. “Fui dublê de bunda e perna várias vezes”, diverte-se Lili, que acredita ter um “corpo escultural”. Entre suas clientes estão Angélica, Patrícia Pillar e Bruna Lombardi. “Estrelas para mim são Nossa Senhora e minha mãe. Que ninguém suba na tamanca comigo que eu também subo”, avisa ele, que se irrita com comentários antes do final da maquiagem. “A Bruna é uma que eu estou começando a fazer o olho e ela já começa a falar: ‘Ah, não está bom, tem que fazer assim ou assado’”, diz. “Já a Débora Bloch tem um jeito arrogante, mas que eu adoro, porque é a cara dela.” Quando está em São Paulo, Angélica só se produz com Lili. “Ele transmite segurança. Me dá dicas dos meus melhores ângulos e tem um astral maravilhoso. Me faz rir o tempo todo.”
O paraibano Danilo Toscano de Brito está satisfeito com sua dupla de clientes: uma loira e uma morena, as duas famosas na tevê e completamente opostas no estilo e no tipo físico. É o maquiador cativo da apresentadora infantil Eliana e de Suzana Alves, a Tiazinha. Arquiteto formado, Danilo trabalhou como cenógrafo, produtor e figurinista. Veio um dia a São Paulo de férias e conheceu a agência First, de maquiadores. “Quando me toquei que estava maquiando a Luiza Brunet, e há três meses em São Paulo, resolvi ficar”, diz Danilo. Há quatro anos ele conheceu Eliana, de quem freqüenta a casa. “Ele é um excelente profissional e um grande amigo”, diz Eliana. Danilo se derrete por ela: “É expressiva, determinada e tem uma energia incrível. Eu me sinto orgulhoso de trabalhar com ela”. Escalado para maquiá-la na maior parte dos shows, Danilo diz que ouviu desabafos de Eliana quando terminou o namoro com o apresentador Luciano Huck. Também foi o ombro amigo de Tiazinha, a quem acompanhou recentemente a Nova York quando ela foi fotografada nua para a Playboy. “Ela já se abriu comigo, contou as dificuldades do mundo da televisão”, diz. Segundo ele, enquanto Eliana prefere a suavidade, com batom discreto e pouquíssima base, Tiazinha pede olhos marcantes.
A atriz Mylla Christie também gosta de realçar os olhos castanhos. Pede sempre a Marcelo Satchi. “E ele é incrivelmente bom nisso”, diz Mylla. Marcelo virou companheiro de noitadas da atriz paulistana. Juntos, os dois vão a restaurantes e boates, onde dançam até o sol nascer. “A Mylla é um travecão. É brincalhona e adorável”, diz Marcelo. Com a intimidade de quem convive estreitamente, ele abre o guarda-roupa da atriz e escolhe as peças para ela.
Mudança nos lábios
Muitas vezes, os maquiadores das estrelas são responsáveis por mudanças drásticas nos seus rostos. Tadashi Harada, 49 anos, nascido em Tóquio e há 28 anos em São Paulo, há três anos é o fiel escudeiro da cantora Gal Costa. Quando viaja para shows, no Brasil e no Exterior, ela não leva sequer uma nécessaire com batons e lápis para os olhos. “Por isso, ela não sai de casa sem o Tadashi”, diz Fafá Magna, sua produtora. Foi ele quem convenceu a cantora a mudar o batom vermelho, sua marca durante muito tempo, para um de cor ocre, segundo Tadashi mais adequado ao seu tipo físico. Tanto a cantora quanto o maquiador são reservados e de poucas palavras. “Não sou de ficar íntimo, tento apenas ser profissional”, afirma Tadashi. Ele costuma puxar os olhos de Gal, com lápis preto, para cima, o que dá a ela uma expressão mais jovial. “Ela nunca fez plástica e como toda mulher madura tem suas rugas, mas é bonita e expressiva”, diz. A cantora não interfere no trabalho do maquiador. Suas exigências na hora da maquiagem são pontualidade e rapidez para terminar, colírio para os seus olhos, que se inflamam com facilidade, e água de coco no camarim.
Outra estrela de Tadashi é a atriz Ana Paula Arósio. “Para ela, o menos é mais”, afirma o maquiador. “Uso pouquíssima maquiagem, para não estragar.” Nesta receita, constam algumas gotas de base líquida, um teco de pó, curvex para realçar os longos cílios, rímel e batom cor de boca. E só. Nem delineador é usado no rosto da atriz, que costuma ficar quietinha durante a maquiagem. “Ela sempre diz que está bom”, conta ele. Tadashi é da agência First. A maioria deles é escalado para produzir celebridades. A proprietária da First, Patrícia Lamastra, conta que os profissionais começam a fazer capas após dois anos de trabalho. “Mas há revelações, como Henrique Mello, um caso de talento nato”, diz Patrícia.
Confidente
O pernambucano Henrique, 34 anos, começou aos 17 anos. “Claudia Raia foi a minha fada-madrinha”, diz ele. Da atriz, que acompanha há sete anos, ele elogia a pele e os olhos amendoados. “É uma pele privilegiada, muito clara e de textura fina”, diz. Maquiador de Ivete Sangalo e de Sandy, da dupla Sandy & Junior, Henrique se diverte nas horas em que precisa mudar o rosto, às vezes de sono, de suas clientes, e transformá-las, em meia hora ou menos, em divas. Muitas vezes, presencia situações-chave na vida delas. Ele conta que soube antes mesmo de Edson Celulari que Claudia Raia estava grávida. Com Sandy, que define como “uma fofa”, ele também virou confidente. A cantora e Lucas, da Família Lima, beijaram-se em cena, num programa, e daí surgiu um clima. “Nesse dia, ela não conseguia esconder sua alegria e satisfação. Mesmo com a mãe ao lado, me contou sobre o menino”, diz Henrique. O maquiador considera Ivete dona de uma beleza única. “Tem horas que parece meio balinesa, meio espanhola. É carismática”, diz. A possibilidade de ver tantas estrelas de cara lavada e conhecer de perto seus atributos e defeitos torna esses profissionais ainda mais responsáveis por transformá-las em deusas do mundo dos espetáculos.
***** materia beeem antiga, neh...
Chantal Brissac
Foto: Julio Vilela ![]() |
Marco já maquiou as top models Claudia Schiffer e Valeria Mazza, além das principais atrizes do País. Depois que saiu do garimpo e chegou a São Paulo para tentar mudar de vida, Marco quis ser cabeleireiro. Fez um curso-relâmpago de dois dias e se apresentou num salão famoso, dizendo-se experiente com as tesouras. “Menti porque sabia que podia segurar a onda. No começo, ficava só olhando os outros, e de tanto copiar, comecei a fazer o meu estilo”, conta. Requisitado pelas clientes, Marco começou a pentear Claudia Raia. O passo para a carreira de maquiador veio a seguir. Um dia, substituiu um colega que iria maquiar a atriz Débora Duarte. “Foi meu primeiro rosto”, lembra ele. “Eu só tinha uma sombrinha rosa e me virei com isso. A Débora nem imagina que eu estreei com ela.”
Aos 32 anos, ganhando entre R$ 15 mil e R$ 20 mil mensais, Marco considera a discrição a qualidade fundamental para a sua profissão. “O que é do camarim, é só do camarim”, costuma dizer. De Claudia Schiffer, conta apenas que é a pessoa mais profissional com quem trabalhou. “Enquanto eu maquio, ela não se mexe nem dá palpite. Depois que termino, só elogia”, diz Marco.
Palpiteiras
Clientes como a modelo alemã, segundo o maquiador Aloysio Ferraz, 37 anos, o Lili, são raríssimas: “A mulherada gosta mesmo é de dar palpites”. Lili, como muitos de seus colegas, também teve alguém famoso que alavancou sua carreira. Sua madrinha é a atriz Matilde Mastrangi. Aos 17 anos, ele foi um dia ao SBT e se ofereceu para maquiar a atriz, que estava lá. “Ela gostou tanto, que começou a gritar: ‘Gente, tem que contratar esse menino, pelo amor de Deus’”, conta Lili. A partir daí, ele começou a trabalhar no meio publicitário.
O paraibano Danilo Toscano de Brito está satisfeito com sua dupla de clientes: uma loira e uma morena, as duas famosas na tevê e completamente opostas no estilo e no tipo físico. É o maquiador cativo da apresentadora infantil Eliana e de Suzana Alves, a Tiazinha. Arquiteto formado, Danilo trabalhou como cenógrafo, produtor e figurinista. Veio um dia a São Paulo de férias e conheceu a agência First, de maquiadores. “Quando me toquei que estava maquiando a Luiza Brunet, e há três meses em São Paulo, resolvi ficar”, diz Danilo. Há quatro anos ele conheceu Eliana, de quem freqüenta a casa. “Ele é um excelente profissional e um grande amigo”, diz Eliana. Danilo se derrete por ela: “É expressiva, determinada e tem uma energia incrível. Eu me sinto orgulhoso de trabalhar com ela”. Escalado para maquiá-la na maior parte dos shows, Danilo diz que ouviu desabafos de Eliana quando terminou o namoro com o apresentador Luciano Huck. Também foi o ombro amigo de Tiazinha, a quem acompanhou recentemente a Nova York quando ela foi fotografada nua para a Playboy. “Ela já se abriu comigo, contou as dificuldades do mundo da televisão”, diz. Segundo ele, enquanto Eliana prefere a suavidade, com batom discreto e pouquíssima base, Tiazinha pede olhos marcantes.
Foto: Alexandre Tokitaka ![]() |
Mudança nos lábios
Muitas vezes, os maquiadores das estrelas são responsáveis por mudanças drásticas nos seus rostos. Tadashi Harada, 49 anos, nascido em Tóquio e há 28 anos em São Paulo, há três anos é o fiel escudeiro da cantora Gal Costa. Quando viaja para shows, no Brasil e no Exterior, ela não leva sequer uma nécessaire com batons e lápis para os olhos. “Por isso, ela não sai de casa sem o Tadashi”, diz Fafá Magna, sua produtora. Foi ele quem convenceu a cantora a mudar o batom vermelho, sua marca durante muito tempo, para um de cor ocre, segundo Tadashi mais adequado ao seu tipo físico. Tanto a cantora quanto o maquiador são reservados e de poucas palavras. “Não sou de ficar íntimo, tento apenas ser profissional”, afirma Tadashi. Ele costuma puxar os olhos de Gal, com lápis preto, para cima, o que dá a ela uma expressão mais jovial. “Ela nunca fez plástica e como toda mulher madura tem suas rugas, mas é bonita e expressiva”, diz. A cantora não interfere no trabalho do maquiador. Suas exigências na hora da maquiagem são pontualidade e rapidez para terminar, colírio para os seus olhos, que se inflamam com facilidade, e água de coco no camarim.
Outra estrela de Tadashi é a atriz Ana Paula Arósio. “Para ela, o menos é mais”, afirma o maquiador. “Uso pouquíssima maquiagem, para não estragar.” Nesta receita, constam algumas gotas de base líquida, um teco de pó, curvex para realçar os longos cílios, rímel e batom cor de boca. E só. Nem delineador é usado no rosto da atriz, que costuma ficar quietinha durante a maquiagem. “Ela sempre diz que está bom”, conta ele. Tadashi é da agência First. A maioria deles é escalado para produzir celebridades. A proprietária da First, Patrícia Lamastra, conta que os profissionais começam a fazer capas após dois anos de trabalho. “Mas há revelações, como Henrique Mello, um caso de talento nato”, diz Patrícia.
Confidente
O pernambucano Henrique, 34 anos, começou aos 17 anos. “Claudia Raia foi a minha fada-madrinha”, diz ele. Da atriz, que acompanha há sete anos, ele elogia a pele e os olhos amendoados. “É uma pele privilegiada, muito clara e de textura fina”, diz. Maquiador de Ivete Sangalo e de Sandy, da dupla Sandy & Junior, Henrique se diverte nas horas em que precisa mudar o rosto, às vezes de sono, de suas clientes, e transformá-las, em meia hora ou menos, em divas. Muitas vezes, presencia situações-chave na vida delas. Ele conta que soube antes mesmo de Edson Celulari que Claudia Raia estava grávida. Com Sandy, que define como “uma fofa”, ele também virou confidente. A cantora e Lucas, da Família Lima, beijaram-se em cena, num programa, e daí surgiu um clima. “Nesse dia, ela não conseguia esconder sua alegria e satisfação. Mesmo com a mãe ao lado, me contou sobre o menino”, diz Henrique. O maquiador considera Ivete dona de uma beleza única. “Tem horas que parece meio balinesa, meio espanhola. É carismática”, diz. A possibilidade de ver tantas estrelas de cara lavada e conhecer de perto seus atributos e defeitos torna esses profissionais ainda mais responsáveis por transformá-las em deusas do mundo dos espetáculos.
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